Histórias de AEROMOÇA

                                                                                                      O Passageiro Inesquecível 

 Parecia um lorde. Pele alva, cabelos alinhados, olhos levemente amendoados …

Viajava só. Agradecia e falava “por favor” com naturalidade e carisma.  Sentou-se na cabine executiva, abriu a bagagem (uma mochila temática) de onde saiu um livro, depois canetas coloridas. Quase não comia, mal tocou no pão e depois no “puré”.

Algumas vezes brindava a Aeromoça com seu sorriso lindo.

Quando a noite caiu e uns  passageiros dormiam, enquanto outros assistiam filme, ouviram-se sons onomatopaicos, aqueles que reproduziam chutes, socos, voos … era o lordezinho brincando com seus bonecos, simulando uma luta, completamente absorto no seu mundo magico. Também, ele tinha apenas 6 anos de idade. 

Marcou a lembrança da Aeromoça para sempre com seu encanto de criança feliz.

 

 Mãezinhas do céu 
Em ¼ de século desfilaram sobre meu olhar os mais diversos tipos femininos, cuja diversidade sempre me faziam pensar sobre este gênero humano e seus pontos comuns.
Pois é claro que existiam, uma vez que haviam escolhido a mesma profissão.
Os biótipos iam do autêntico europeu de olhos claros e tez bem alva, passando pelas peles claras e olhos escuros até chegar na pele negra, que constituía a minoria.
Os credos eram também variadíssimos e as formações, no mínimo nível médio, constituíam-se em fatores agregadores entre pessoas afins.
Algumas eram mães, outras nem pensavam neste tema e muitas eram mães de todos os passageiros mais débeis, com alguma incapacidade ou apenas idosos ou crianças.

Facilmente brotava a solidariedade nos corações destas “mãezinhas de curta temporada”. Em geral, os cuidados ocupavam suas mentes enquanto durasse o vôo. Terminada a jornada, o fato ficava naturalmente para trás, diferentemente daquele que era alvo da atenção. Para este, que parecia ser único, não ficaria a idéia que, depois do descanso daquela aeromoça, viria outra jornada de trabalho, com outros “filhinhos” merecedores de seu cuidado.

Quantas mamadeiras lavadas e preparadas, fraldas recolhidas, colinho para a mãe do passageirinho poder comer ou ir ao toillet?

Um aspecto, no entanto, sempre chamou-me a atenção : toda a vez que uma comissária saía para trabalhar e deixava um filho doente em casa, seu estado se alterava. Atormentadas pela ausência e impossibilidade de participar ao vivo da recuperação da criança, mostravam-se permanentemente ligadas `aquele serzinho que tinha ficado em casa mas habitava~lhe a mente e o coração.

Muitos choros de mães comissárias presenciei.

Quando ainda dividíamos quartos, por mais estranho que possa parecer na era da individualidade de hoje, ouvi telefonemas para saberem como estava o filho distante e em seguida muitas lágrimas ou olhares no infinito  que remetiam-me a esta reflexão.

Nunca vi, no entanto, um pai comissário demonstrar-se frágil pela mesma razão.

Não quero dizer que não sentissem. Digo apenas que não os via demonstrar o sentimento na mesma intensidade.

Talvez porque as mulheres permitam o compartilhamento de sua dor.

Percebia claramente naquelas que eram mães de bebês uma afeição imediata por todo o bebê que embarcasse a bordo. Os cuidados com o pequeno passageiro visivelmente transportavam estas jovens mães “ausentes” aos seus bebes distantes.

Fenômeno compreensível, mas resultava num diferencial profissional. Uma dedicação a mais que fazia bem à imagem da empresa e a própria comissária.

Cuidar de alguém é sempre um alento para quem o faz com prazer.

E assim essas “mãezinhas” cuidavam de todos os passageiros.

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